GUERRA DECLARADA: Policiais militares do Pará estão na lista de marcados para morrer

“Se eu não for transferido (de cidade e batalhão), eu vou ser morto!” Essa declaração foi feita por um oficial PM do 24º Batalhão de Policiamento Militar, em Belém, que na última quarta-feira (21) registrou o terceiro Boletim de Ocorrência Policial após receber ameaças de morte. O policial está com medida protetiva desde o ano passado, quando passou a receber mensagens enviadas por bandidos avisando que ele “vai levar sal” (gíria usada para dizer que vai ser assassinado).

Segundo o policial, uma das ameaças que ele recebeu partiu de dentro de um presídio do Estado. O oficial PM já pediu a transferência de batalhão e a mudança de cidade, pois agora teme pela segurança da própria família. “Eu não saio mais, não tenho liberdade nem privacidade. Me sinto uma pessoa presa dentro da própria casa”, desabafou o policial.

No aparelho de telefone celular, o PM tem 3 vídeos em que mostram a provável lista de agentes de segurança pública que supostamente estão marcados para morrer. Além de policiais militares – isto inclui homens da Ronda Tática Metropolitana (Rotam) e do Comando de Operações Especiais (COE) -, na gravação ainda aparecem fotografias de guardas municipais de Belém, delegados, policiais civis e também de um rapaz com uma farda do Exército.

Estes vídeos, na verdade, são clipes com músicas cujas letras teriam sido escrita por bandidos que tentam intimidar os agentes de segurança pública. O trecho de uma das músicas diz que “quem se meter com a gente vai morrer”. Enquanto a música toca, fotografias dos policiais ficam passando. Sobre algumas fotos foram escritas as palavras como “sal” e “miliciano”. Também aparecem imagens de policiais que já foram assassinados nos últimos meses.

O primeiro B.O. que o oficial registrou foi em agosto do ano passado. “A corporação me incluiu num programa de medida protetiva, mas, mesmo assim, preciso me mudar de Belém por causa da minha família”, reforça o PM.

Questionado sobre a que ele atribui receber as ameaças, o policial reforça que tem muitos anos de farda e que sempre atuou na linha de frente do combate ao tráfico de drogas e roubos. “O policial que é muito operante incomoda bandidos, chefes de tráfico”, pontuou.

Policiais e bombeiros militares cobram providências

Para a Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiros Militar do Estado do Pará (ACSPMBM-PA), o cenário de segurança – ou da falta dela – em que a sociedade paraense demonstra que o conflito entre policiais e bandidos chegou a um nível de guerra civil. “Hoje é uma guerra declarada”, frisou a vice-presidente da associação, a cabo PM Cristina, que reforça que a entidade não tem como quantificar o total de policiais que estão sofrendo ameaças de morte. “Hoje, o policial que vestiu a farda para trabalhar é alvo de bandido”, ressaltou.

Na última sexta-feira (23), a diretoria da ACSPMBM se reuniu para elaborar um documento que será encaminhado ao secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, Luiz Fernandes, que voltou a assumir a Segup esta semana. “Vamos protocolar um ofício e pedir uma reunião para conversar sobre a segurança dos militares”, informou a vice-presidente da associação.

Direto do Diário OnLine

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